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18.9.09

A casa de Bernarda Alva

notavel a filha a Maria João Pinho e a criada Ana Brandão

12.9.09

menina Julia

"Um criado é um criado e uma puta é uma puta"
"Não é a falta que me fazes era o bem que me fazias"

João

2.8.09

Demo, um musical Teatro Praga

Ao princípio era a Índia. Mas num espectáculo do Teatro Praga nada é o que parece. E uma sugestão depressa passa a pretexto que, como sempre acontece, e este Demo não é excepção, será construído com desvelo e desmontado com fervor. Com uma diferença: Agora tem música.

O pretexto é uma história de amor, mais ou menos linear e mais ou menos compreensível, a espaços, muitos, armadilhada por referências que tanto incluem a Bulgária e a Islândia como um tanque de crocodilos, filmes de Fritz Lang, M. Night Shyamalan e Walt Disney, ou leituras de Alberto Moravia, Nicholas Goodrick-Clarke, Dante, G. K. Chesterton, Heiner Müller, Isaac Babel, ou o padre Manuel Bernardes e o Kamasutra. Não é tudo. Ainda há as personagens excêntricas. A saber: Savitri, uma donzela semi-mítica (Rita Só), um Touro (André E. Teodósio), uma socialite (Patrícia da Silva), um xamã cirurgião plástico (Carlos António), Ilse Koch, a enfermeira ou a cadela de Buchenwald, como se queira (Miguel Bonneville), o poeta (Pedro Penim) e o editor (Luís Madureira), uma personalidade televisiva (Cláudia Jardim), uma grávida (Joana Manuel) e assim sucessivamente, até serem uma trintena, incluindo ainda uma tradutora (Joana Barrios), uma puta e um aleijado, o próprio futuro e o oceano, mais a banda da casa, Masterminders (Kevin Blechdom, Christopher Fleeger e Andres Lõo), e a passagem cerimoniosa de Rão Kyao pelo palco.

Assim partiu a companhia, a “ler a Europa” e “o outro para nos vermos a nós próprios”, com o desejo de reflectir na plateia suas considerações e dúvidas, interessando os espectadores com bons números de malabarismo visual e retórico, no processo deixando rasto de ideias como quem espalha partes de um quebra-cabeças ao som da partitura de Blechdom, Fleeger e Lõo, que parece sempre um pouco desgarrada do “enredo” e ironicamente respeitadora dos cânones do teatro musical que a lógica plástica da peça supostamente deveria desmanchar e remontar. Daí um espectáculo agradável e movimentado.

Mas o que resta agora saber é se o Teatro Praga vai prosseguir a caminhada sobre estas mesmas pedras polidas e tornadas escorregadias pelo uso.

30.7.09

muito barulho por nada

O Teatro Experimental de Cascais estreia hoje, às 20h30, no Parque Palmela, a peça Muito barulho por nada, comédia de William Shakespeare, percorrida por uma análise perspicaz do alcance e natureza da comédia isabelina, com as suas respostas rápidas, complicados jogos de palavras, ideias extravagantes, infindáveis alusões sexuais e algo a que só poderemos chamar uma forma de melancólica indiferença.

"Hero ama Cláudio, Cláudio ama Hero; Beatrice odeia Benedick e Benedick odeia Beatrice. Hero e Cláudio vão casar, e uma companhia amadora prepara uma representação ao mesmo tempo que as “Mães de Messina” patrulham as ruas da cidade controlando a moral e os bons costumes. Hero é difamada e Cláudio repudia-a no altar. Entretanto, Benedick e Beatrice revelam que o ódio que sentiam um pelo outro era, afinal, amor. Uma versão moderna desta divertida comédia de Shakespeare em que há “muito barulho por nada”.

Em cena até 11 de Agosto, diariamente, no mesmo horário, Muito barulho por nada constitui a prova de aptidão profissional dos alunos finalistas da Escola Profissional de Teatro de Cascais e conta também com actores profissionais da companhia e encenação de Carlos Avilez.

25.7.09

Bobby Sands vai morrer Thatcher assassina



"esquecemo-nos de dizer adeus.Eu tambem me esqueci pode dizer-se. De qualquer maneira, não tardo a vê-los. Parto amanhã...sim ainda fico mais um diazinho.Vou mudar radicalmente a minha maneira de viver"
animado e tal, sobre a despedida, a separação de quando ja estamos habituados e como estarmos habituados aquilo nos dá prazer, arrumar as tarecos e partir sem dizer adeus..

estamos profundamente sozinhos quando mandamos um mail ou uma mensagem para nos proprios para ver se as ligações estão boas.. todas as pessoas da sala já o tinham feito!
um dilema geracional ser individual, independente, autonomo, uno mas profundamente só...
eu e eu e eu e para lá de mim nada.

23.7.09

Pedro procura Inês

Para lá de toda a polemica que envolveu o espetaculo "pedro procura ines" num primeiro momento estranha-se tudo, a teia a escassos cm do chão a voz off que te pede apenas para desligar os telemoveis activa, ganha vida e o questiona do primeiro ao ultimo minuto o espectador de forma muito inteligente e divertida.
As personagens falam da memoria de nos marca, se nao existe uma maquina fotografica beijamos docemente um desconhecido e vamo-nos lembrar daquilo para sempre...
O espetaculo é original inventivo e de forma positiva dá corpo, torma personagem a voz off que pertence a todos os espetaculos e o proprio palco que ao som de nina simone dança.
Detesto que os meus pequenos odios de estimação me surpreendam da melhor maneira!

espreitem - pedro-procura-ines.blogspot.com - curtas do terraço

1.7.09

A tempestade

de 30 a 2 de Julho no grande auditorio da ESTC..

INTERPRETAÇÃO Alexander David, Ana Gil, André Pardal, António Braga da Silva, Carolina Rocha, Gustavo Vargas, Ivo Barroso, Joana Campelo, João Duarte Costa, João Vicente, Maria Mascarenhas, Marta Abreu, Pedro Acabado, Raquel Cajão, Samuel Alves, Sara Vaz, Sofia Froes e Tiago de Almeida

25.6.09

Porque na noite terrena sou mais fiel que um cão

aquelas coisas que elas tinham mesmo que contar
elas e as suas coisas mínimas
nós e elas frente a frente e a falta de coisas para dizer

o chegar demasiado tarde
demasiado cedo
tudo demasiado

aquela vez em que chegámos finalmente a tempo
e tu não estavas lá

os teus restos espalhados pelo chão da cozinha
oh, como te dilacerámos



Espectáculo em que a fragmentação se assume como marca desta procura do “a partir de” e do nós com isso, colocamos em cena a fragilidade de três pessoas na sua confrontação umas com as outras, consigo próprias, e com três poetisas que estão na génese de tudo, mas que não puderam, afinal, ficar.
Elizabeth Bishop, Marina Tsvietaieva, Margaret Atwood, numa combinação de uma prosa autobiográfica, por vezes terna, por vezes dolorosa, Elizabeth Bishop e Marina Tsvietaieva parecem, não obstante, dois continentes apostados em não se tocarem. Margaret Atwood rasga as palavras como quem rasga a carne, a pele, e toca-nos com uma poesia que é como uma faca, que sangra, que esbraceja, que se consome e nos consome na dor que transmite, e na lucidez. Tudo nestas autoras é espantoso, é teatral, é dramatúrgico.
A tres mulheres, ines, rosinda (hilariante) e a tania(brilhante)

24.6.09

AR

performance dos alunos finalistas da ESTC...como os criticos dizem a evitar!

17.6.09

o silenciador

Filmes policiais dos anos 50, futuro, pouca luz, diálogos curtos, muito artifício, chapéus, cigarros e pistolas.
Somos o que queremos?queremos ser o que somos? Morte aos adjectivos.
Aventura: Como é que 3 pessoas se sentam num único sofá?
Romance:a linguagem que inventamos para nos escondermos é capaz de seduzir alguem?
Comédia:é feliz quem consegue chegar ao fim com uma pergunta?
Há casamentos e amor, lapis nº2 e video-vigilancia.

Os herois são seguros e secretos.

13.6.09

Crucificado

s igrejas não chegam para dar vazão às nossas rezas. Sairemos para a rua num cortejo, atearemos a noite com a melodia intempestiva da nossa prece popular, folclórica e pagã. Não é uma escavadora persistente que há-de abrir a nossa cova nem a santíssima trindade política que nos roubará esta loucura.
Chegou finalmente o dia? Queremos cortar caminhos e amarras e rotinas.

Queremos errar, porque o nosso verbo é o verbo ir. Queremos fugir a fingir que somos livres dessa cruz que carregamos. Mas prisioneiros somos nós todos ó crucificados, prisioneiros do silêncio como gatos e ratos.

a partir de Memórias de Uma Tia Tonta e outros textos de NATÁLIA CORREIA
Dramaturgia e Encenação MIGUEL MOREIRA e JOÃO BRITES

Composição Musical JORGE SALGUEIRO
Espaço Cénico RUI FRANCISCO
Apoio à Oralidade TERESA LIMA
Figurinos e Adereços CLARA BENTO
Desenho de Luz JOÃO CACHULO
Sonoplastia e Desenho de Som RUI BENTES
Vídeo SOFIA PIMENTÃO

Interpretação ADELAIDE JOÃO, GUILHERME NORONHA/MIGUEL MOREIRA, PAULA SÓ,
SÍLVIA ALMEIDA (Assistente Estagiária da Escola Superior de Teatro e Cinema) e FILIPE
LUZ (Assistente Estagiário da Escola Profissional das Artes da Madeira) Músicos ANA SOFIA
MACEDO, FERNANDO PERNAS/SÉRGIO OLIVEIRA, JACINTO SANTOS e JOSÉ
CARINHAS

11.6.09

6.6.09

Marionetas Tradicionais de Taiwan

A tradição do teatro de marionetas de luva de Taiwan chega através do mestre Chen Xihuang e invade o Museu da Marioneta, em Lisboa, de 5 a 7 de Junho.

Aos 79 anos, Chen Xihuang é o marionetista mais célebre de Tawain.

Chega a Portugal para mostrar a versatilidade desta técnica.

Uma jovem senhora, palhaços e vilões, um velho homem a fumar um cachimbo verdadeiro são algumas das personagens deste espectáculo.

Destaque ainda para as cenas de luta entre as marionetas de luva.

3.6.09

Hedda Gabler

tradução de José Paulo Esteves da Silva
dramaturgia de Miguel Castro Caldas

Hedda Gabler(Sandra Faleiro), uma mulher fria, egoísta e manipuladora que se vê obrigada a casar depois da morte do pai e que está presa ao seu casamento e às convenções sociais mas que, ao mesmo tempo, se encontra à margem delas, não se encaixa.

Desde a estreia, em 1891 em Munique, a obra-prima de Ibsen teve numerosas encenações, protagonizadas por actrizes como Ingrid Bergman, Isabelle Huppert, Maggie Smith, Annette Bening, Judy Davis, Emmanuelle Seigner e Cate Blanchett, entre outras.

Ibsen apelidado de pai do teatro moderno, criador do chamado "teatro de idéias", sua obra se caracteriza pelo estudo psicológico dos personagens (em especial os femininos), pela crítica à burguesia e ao capitalismo e pelo encontro do indivíduo com a sociedade.


Bruno Bravo resolveu encená-la no âmbito de uma 'trilogia' dedicada a personagens femininas da dramaturgia universal, iniciada em Fevereiro deste ano com 'Lindos Dias', de Samuel Beckett, e que terminará em Setembro com 'Menina Júlia', de August Strindberg.


Completam o elenco os actores Anabela Brígida, Bruno Simões, David Almeida(o pior actor), Gonçalo Amorim, Inês Pereira e Raquel Dias, que se movem num cenário concebido por Stephane Alberto, vestidos com figurinos de Ana Teresa Castelo.

Depois de oscilar entre um imaginário de teatro antigo e um registo mais próximo do «realismo televisivo» nas primeiras leituras, o encenador explica que o trabalho que fizeram «foi no sentido de encontrar o teatro. A grande questão era: como é que o teatro pode resolver este texto?», frisou.


'Hedda Gabler', uma co-produção Primeiros Sintomas e Galeria Zé dos Bois, estará em cena no espaço Negócio, na rua do Século, até 6 de Junho, de quarta-feira a sábado, sempre às 21h30.

21.5.09

miss July




a virtude nunca isenta de vicio, a submissao a que nos larga a sedução que anula do poder economico, politico e social, tudo é relativo, o cimo e o baixo, a dependencia e o dominio, a força e a fraqueza somos pouco mais que animais, homens e mulheres q lutam pelo poder, que conscientes da verdade e da mentira se ludibriam.
Somos contradições abismais, cegos pelas nossas obsessões embarcamos em quase tudo, vale tudo, o meio pouco importa o fim justifica.

17.4.09

Once and for all we are gonna tell you who we are so shut up and listen (de Alexander Devriendt)

A formula é a repetição com nuances, uma banda sonora cheia de pica e o sangue na guelra de quando somos ingenuamente jovens e só o somos uma vez na vida. Este é o sitio onde nao podemos mais voltar, foi o que senti naqueles 60 minutos e foi incrivel e irrepetivel, saí de lá com os meus 14 anos a ferver!
... a sensação do Festival de Edimburgo do ano passado ainda pela culturgest.

2.4.09

a tempestade

Para quem faz do teatro a sua vida A Tempestade é a peça que finalmente faz a ponte entre a vida e o nosso ofício. E daí a atracção que ela sobre todos nós exerce mas talvez daí também o mal-estar que se sente em tantas afirmações de actores e encenadores que a abordaram. Menos em Strehler, que de todos os modernos será quem mais feliz terá sido no trabalho da sua encenação. Mas Strehler, que era o mais sensual de todos os homens de teatro, alimentava-se da vida, de cada um dos seus detalhes ou de cada uma das suas concretas sensações, para fazer teatro e não fazia teatro para entender a vida, que tão elegantemente parecia nunca lhe ter posto grandes problemas. Talvez por isso fosse um tão genial criador de espectáculos. Peter Brook, que, depois de deixar a Inglaterra e se fixar nas Bouffes du Nord de Paris, parece ter encontrado um espécie de ovo de Colombo, esqueceu os problemas com que se deve ter debatido na sua primeira encenação da peça, a julgar pelas afirmações do seu primeiro Próspero, Sir John Gielgud, e pelas suas próprias palavras, e na encenação que fez em França deve ter fugido com o rabo à seringa resolvendo tudo com uma eventual crença numa magia tomada em sentido literal e no recurso à inocência que, não sei se um tanto paternalistamente encontrou, ou fingiu encontrar, em actores não europeus ou na estranheza física de David Bennent para Caliban. É curioso ver como Gielgud, que a representou várias vezes e fez de Próspero o papel da sua vida, confessa nunca ter conseguido decidir-se sobre a interpretação do final da peça. E como outro genial actor inglês de mais recente geração, o também Sir e tão simpático Ian Mckellen se sentiu falhar quando a representou, e chega a afirmar que nunca foi seu desejo em fim de vida fazer de Próspero e preferiu o Lear.
Eu sempre temi tanto a peça, que esperei muitos anos até me decidir a fazer de Próspero e encenar A Tempestade, mas desde sempre senti a mesma atracção. E as dificuldades que encontrei são as de todos os meus colegas e, tanto como outros encenadores e actores, talvez chegue à conclusão de que falhei. Mas pouco importa isso a quem, mais do que conseguir criar espectáculos, procura no teatro uma maneira de decidir a vida. E ao contrário do que dantes pensava, sei agora que a peça fala pouco do teatro. O que faz sim, é servir-se dele para falar sobre o nosso viver. E “nosso” quer dizer aqui a Civilização Europeia de tradição Cristã, habituada a viver “moralmente” e a pensar simbolicamente, ou a pensar por metáforas, como sempre se fez com a leitura da Bíblia. E quem para mim pôs o dedo na ferida foi o poeta W.H.Auden quando, numa das suas muitas reflexões sobre o maior dramaturgo de todos os tempos, disse que, n’A Tempestade, Shakespeare, mais do que uma peça de teatro, conseguiu finalmente escrever um mito. Já sobre o Hamlet eu insistia há muito tempo que de tanta coisa a peça falava, que qualquer encenação “interpretativa” limitaria a sua leitura. Sempre pensei isso das peças de Shakespeare, mas onde isso é de facto inegável é n’A Tempestade, que, tanto quanto qualquer imagem de Vénus, ou de Cristo, ou mesmo de Fausto ou Don Juan, qualquer forma que se lhe dê nunca poderá ser a definitiva.

O “mágico” Próspero, a figura central da peça, e que Pirandello cita no Cotrone d’Os Gigantes da Montanha, é de facto “encenador”, mas a sua “encenação” não é “teatro”, é uma invenção de situações pela manipulação de um conjunto de figuras demasiado esquemáticas para não serem simbólicas. É de facto isso que se faz sempre no teatro. A peça é construída à imagem do teatro, mas o tema da peça não é essa “invenção” nem essa “manipulação”, aliás, permanentemente ironizada no próprio texto e na invenção de um “factotum” não humano, de fantasia, um Ariel que é espírito do ar para conseguir dar “boa forma” ao que os homens não podem fazer. Essa “encenação”, ou essa “invenção”, como o teatro, esse, o pode fazer, é certo, é um processo para pôr em equação o assunto que sempre nos atormentará como seres racionais: a responsabilidade individual. Ou posto de outro modo, a luta da consciência com o inconsciente, ou a luta do Homem com a Natureza, ou mesmo a luta entre o bem e o mal. Ou, indo mais longe ainda, a luta do Homem com Deus. Problemas que tudo têm a ver com Civilização ou Educação. E também disso fala Auden quando diz que n’A Tempestade, tanto como n’A Flauta Mágica de Mozart, se trata de Educação. E nessa “manipulação”, como na Educação, cabem todos os temas vitais para o Homem Civilizado: o poder, o amor, a amizade, os sonhos, a fome, o trabalho, a exploração do Homem pelo Homem, a justiça, a própria língua, ou seja, as palavras, os nomes que damos às coisas, e a morte, ou seja, a efemeridade da vida, por aí adiante, e até a própria Arte em forma de teatro, é verdade. E até lá está também a Música, mas como um caso diferente, porque, como sabem todos os que já têm algum viver, essa é aquela arte onde têm repouso os tormentos da Razão, a que não fabrica sentido e tanto pode nascer da Natureza, como acontece com os ruídos que Caliban ouvia na ilha, como dos instrumentos que o Homem inventou para a imitar com artifícios. (“Que uma ária solene, o melhor remédio/ Para uma mente perturbada, te cure o cérebro, / Que agora, inútil, te ferve no crânio.”).

O que mais genial encontro n’ A Tempestade é a habilidade com que se torna impossível descobrir se Próspero é o autor da peça (como redutoramente decidiu Greenaway no seu, para meu gosto, detestável e pomposo filme, Prospero’s Books), ou se a peça é sobre Próspero como metáfora de filósofo ou, por outras palavras, como metáfora do Ser pensante do mundo Ocidental. Talvez porque Próspero só pode ser as duas coisas ao mesmo tempo e não só uma delas, dado que todo o Ser pensante, quando pensa (e alguma vez o pode deixar de fazer?), “encena”, ou inventa a realidade no momento em que a está a pensar. E nenhum ser pensante da nossa Civilização sabe pensar sem dicotomias, sem se libertar da noção de bem e de mal. E quem a isto escapa abdica da sua verdadeira natureza de ser racional, o que vai dar, no fundo, como em toda a obra de Shakespeare, à noção de responsabilidade. Quando Próspero no seu tão comentado Epílogo pede ao público que o liberte do feitiço da ilha, creio que mais não faz que pedir o seu impossível “Requiem”, tão impossível quanto o demonstra a prisão a nova dicotomia a que, nesse momento, mais uma vez a sua razão o sujeita: dar prazer (e receber), ou acreditar em Deus.

Nesta encenação d’A Tempestade creio ter caído no erro que sempre quis evitar: o de escolher uma “interpretação”que sei que é redutora. Mas sem isso, e sem fazer batota, inventando uma inocência que não tenho para mascarar de conto infantil a mais complexa peça de teatro que conheço, como dar corpo a figuras e situações que são tão pouco concretas como o mito que Auden, e com razão, diz que Shakespeare conseguiu inventar?
Grande parte da crítica diz que Shakespeare falava de si próprio quando escreveu a peça e que ela é como um seu testamento ou balanço final. Tudo nos empurra para aí. Quem minimamente conhece a sua obra tem a noção de a cada passo dar com uma auto-citação e quase se convence de que a peça é uma antologia de cenas típicas do conjunto da sua obra. A cada passo nos lembramos de muitas das suas personagens e de situações das outras peças. Mas Próspero nunca pode ser uma figuração do próprio Shakespeare. Se não é difícil crer que a tempestade foi criada por ele para trazer os seus inimigos para a ilha, em nenhum momento se pode duvidar de que a história da usurpação do trono de Milão não foi decidida por ele, e facilmente se aceita que foi mesmo o acaso quem trouxe àquelas paragens os seus inimigos. Tenho a agora a noção clara de que Próspero é uma das personagens da peça e não o seu autor e que o seu livro, de que tanto fala e no fim decide afogar, não pode ser o texto da própria peça. Mas que Próspero também não será o simples mago de quem se conta a história, e que o seu livro, como às vezes se pretende, não será o livro das receitas para bruxedos e artes mágicas que o não vemos nunca fazer. O livro que sempre Próspero lerá, aposto eu que tem de ser entendido como uma metáfora de todo o conhecimento e da ética que a História acumulou.
Só que a história da usurpação do poder também é uma evidente citação de tantas outras histórias de usurpação do poder de outras peças de Shakespeare e é verdade que Próspero era artista. Diz de si próprio que era “sem par nas artes nobres” e que se dedicava a ciências ocultas. Mas para qualquer ser racional é difícil crer nestas suas “magias” mais que como metáfora de outros artifícios como os dos criadores de ficções. Ele próprio, quando pede a Ariel uma “festiva exibição da sua arte”, ou seja, uma representação, se refere à sua magia como “artifícios”. E em dois passos estamos outra vez na tentação de sobrepor o próprio Shakespeare, ou pelo menos “o artista”, à personagem de Próspero. E outra coisa que para aí nos empurra é que a peça pressupõe a história da usurpação do poder, já passada, e começa só a partir do momento em que Próspero começa a “encenar”, com a cena do naufrágio. Tudo aquilo a que se assiste na peça é a consequência dos seus artifícios, ou seja, é a hipótese de comportamentos humanos (o do próprio Próspero sobretudo) que a “invenção” daquela situação permite. Não creio que possa haver dúvida de que a peça é a construção de uma ficção que inclui como personagem o próprio Próspero e a história do seu passado com as suas personagens, coisas que ele próprio não inventou. Mas a peça começa só no momento em que uma realidade, já ela inventada, é manipulada e encenada por uma personagem, esse mesmo Próspero, ajudada por seres de fantasia. E se pensarmos por metáforas como me é impossível não fazer, a peça transforma-se na história de uma “encenação”.
Bem sei que essa “encenação” não é um “teatro” (só a festiva exibição armada para a festa do casamento de Fernando e Miranda o é) e que é tão só um processo de pensar. Mas o teatro que sempre fizemos não é também isso?

Toda a peça me lembra inevitavelmente outra peça mais moderna, O Público de Garcia Lorca, já feita por nós em 1989, em que havia um “Próspero” que era um Director de Teatro cujo inconsciente criava figurações do seu passado ou transformações de pedaços do seu passado. E ainda que Próspero se apresente n’ A Tempestade como mago e não como encenador, a associação com a personagem de O Público que eu próprio, como Director de Companhia, interpretava, tornou-se inevitável. Foi assim que a sobreposição da imagem do Director de Teatro com a figura de Próspero abusivamente se tornou na base de todo este espectáculo. A ilha em que tudo se passa passou a ser a própria sala do nosso teatro e quem dá ordem de marcha a toda a função é o mesmo Director de O Público que aqui se apropria das palavras iniciais do Capitão ao Mestre d’ A Tempestade (CAPITÃO Mestre! MESTRE Aqui, capitão! Que mandais? CAPITÃO Ouve, fala aos marinheiros. Depressa, manobrai, ou vamos encalhar. Lestos! Lestos!) para, sentado na mesma cadeira e vestido da mesma maneira, bastantes anos de ofício mais tarde, refazer a cena inicial de O Público (CRIADO Senhor. DIRECTOR Que é? CRIADO Está aí o público. DIRECTOR Que entre.). Nos dois casos se abrem as portas dessa ilha metafórica ao público. Só que desta feita não são as personagens da sua vida inconsciente que lhe entram pela casa dentro, como acontecia no Lorca. É ele que, preso na sua lucidez, como mestre manda actuar as personagens da sua vida, dando-lhes forma de metáfora.
E o próprio tratamento cenográfico da sala e todo o guarda-roupa se tornou, à imagem das cenas da peça em relação às outras peças de Shakespeare, na memória de outros espectáculos da Companhia e sobretudo de outras peças de Shakespeare: as 3 portas do teatro isabelino e do Ricardo III, a escadaria de Muito Barulho por Nada, os armários e as pedras de Cimbelino, o avançado sobre a plateia de Tito Andrónico, o duplo palco de Anatomia Tito, algum guarda-roupa do Conto de Inverno, para não falar nas várias coroas, e em muitos outros objectos, ou no fragmento de chão e nos fatos negros do Dom Carlos e no raio de Júpiter que, em cena semelhante à do “teatro dentro do teatro” desta peça, Gil Vicente segurava em Um Auto de Gil Vicente de Garrett. De Os Gigantes da Montanha, o outro espectáculo do díptico a que chamámos “ A Caverna do Mágico”, também ficou a parede negra enfeitando a noite de estrelinhas e a semelhança dos espíritos sem cara que transportam o falso banquete com os fantoches da outra peça. E os ajudantes de cena, vestidos com os mesmos fatos-macacos negros que, desde que fizemos O Público, copiámos de A Barraca, a companhia universitária de Lorca. E se falássemos dos actores desta tempestade ou dos que a fizeram e nem sequer aparecem em cena, encontraríamos nos actores deste espectáculo ou nos seus bastidores muitos dos seres que há tanto tempo dão vida à nossa ilha.

Ariel é a outra personagem que, além de Próspero, é indispensável à construção deste complexo artifício. É o “espírito”, seu criado, ou escravo, a quem afectivamente chama “meu” e a quem aplica mil adjectivos (“formoso, delicado, sagaz, manhoso, doce, precioso, industrioso”), e chega a chamar “maligno”. Há outros espíritos companheiros de Ariel a que quase não demos forma nesta encenação, mas eles apenas o prolongam. Ele e os seus “acólitos menores” são a única personagem irreal da peça” e lembram-nos inevitavelmente o Puck e os outros duendes do Sonho de uma Noite de Verão. É também difícil entender a sua existência ao lado de Próspero a não ser simbolicamente. É Ariel que lhe faz os teatros e é ele quem afinal executa todas as “magias” de Próspero. Só Próspero o vê porque ele é metade de Próspero, é o seu “engenho”, a sua “fantasia”. É leve como o ar, voa, atravessa céu e terra, brinca, canta. A outra metade de Próspero é sisuda e moralista, é o Próspero educador, que tira a liberdade à sua outra metade, Ariel, obrigando-o a pôr-se ao serviço da sua acção moralizadora. Esse Ariel que se tinha furtado (ou não gostasse ele de brincar) ao serviço do Mal na pessoa da bruxa Sicorax, (que o Mal não brinca nem deixa brincar). Durante doze anos, longe do mundo do poder, Próspero pode ter-se divertido com as suas “magias” e ter sido feliz. Próspero podia ter-se tornado tão lúdico como Ariel. Mas Próspero tinha sido Duque e quis ajustar contas com o Mundo. Quando o acaso lhe trouxe o Mundo de novo, o ressentimento tornou a coisa séria. E quando nesse ajuste de contas desiste do castigo a favor do perdão, para não ser como um Deus e ser um homem, já é tarde demais. Próspero já se enganou, perdeu a vida, mandou quem mais amava para o Mundo, a sua filha, e deu-lhe em herança o seu poder. Percebe que a perdeu porque vê que ela, como os outros poderosos, se perderá. Mais que recompensar o Rei ou castigar o seu irmão António, que nunca deixará de ser político e, por certo, campeão de “xadrês”, a imagem final dos jovens a jogar xadrês como quem brinca com o poder, aproveita a Próspero. E apostava que foi Ariel quem a mostrou. Mas Ariel enganou-se, não conquistou o seu mestre, perdeu-o também. Próspero a partir daí torna-se santo e triste, e renuncia definitivamente ao Ducado mas já não tem espaço para Ariel. Dele se despede Próspero quando renuncia à sua Arte. E poderíamos dizer que A Tempestade é a luta entre Próspero e Ariel, ou o diálogo de Próspero consigo próprio, onde quem vence é o desespero.

Cheguei a pensar que a outra personagem que marca profundamente a peça, Caliban, era o oposto de Ariel. Hoje vejo que não. Caliban não é um ser de “fantasia” como Ariel, é um ser humano, tanto como Próspero, a sua filha, ou os náufragos. É o homem que neste micro-cosmos, Próspero, o ser racional, não sabe conhecer porque, seja branco, negro ou amarelo ou pele-vermelha, ele é um selvagem e não sabe distinguir o bem do mal. Próspero quis amar Caliban mas Caliban foi destruído por Próspero quando lhe vedou o sexo e o pôs a falar a falar em verso. E também aqui uma leitura de primeiro grau não satisfaz. Ainda que seja um homem, Caliban não deixa de ser simbólico, afinal como tudo na peça, e é a parte da vida que a Civilização não conhece ou não consegue dominar. Próspero, no seu desencanto final consigo próprio enquanto ser Civilizado, depois de perceber que nem só de “virtude”, “a mais subida acção”, vive o homem, acolhe-o de novo na sua gruta com esses cómicos que, por pecarem, ou não terem instrução. Ou serem pobres, não são aceites no Mundo. Mas Próspero já não vai a tempo de o viver, talvez tenha apenas percebido que a vida não se pode arrumar nem dividir e pode ser maior que aquilo que a nossa Civilização a deixa ser.
Dir-se-ia que Shakespeare, nesta talvez última peça, saltou para o ar como o Ariel de Strehler era capaz de fazer, e lá de cima viu o Mundo, que tão bem tinha posto no palco em toda a sua obra. Viu os humildes e os poderosos, viu os espertalhões e os ingénuos, os maus e os bons, os cínicos e os generosos, a todos entendeu e apesar da lucidez com que os sabe olhar, até se enternece com o único “bom coração”, Gonçalo, a quem entrega o discurso do primeiro falso fim da peça, aquele que corresponde ao fim convencional das comédias e da reposição da ordem. (Oh, alegrai-vos mais que a simples alegria,/ E gravai isto a ouro em colunas eternas!/ Numa viagem, encontrou Claribela/ Em Tunes seu marido; e encontrou/Uma esposa Fernando, seu irmão,/ Quando estava dado por perdido;/Próspero, nesta pobre ilha,/ Encontrou o seu ducado, e todos nós/ A nós nos encontrámos, quando de nós/Cada um estava perdido.) Se não deixasse partir Ariel, Shakespeare seria igual a Deus e tudo veria do Céu. Mas no sofrimento que a sua lucidez lhe traz e que se lhe descobre na ironia do verdadeiro final, que é o Epílogo, Próspero, ou Shakespeare, sabe-se lá, revela que de uma coisa ele nunca abdicará: de continuar a ser um ser humano. O seu “içar as velas” do discurso final é com certeza morrer.

Penso que esta peça é tudo isto sem deixar de ser o seu primeiro nível de leitura. Como os mitos. Mas foi em inúmeros níveis de leitura que todo o espectáculo acabou por ser trabalhado. E não sei se aí não nos perdemos. Mas peça mais abstracta não há. Na sua última peça, Shakespeare, ao contrário do que quase sempre fez, põe a sua capacidade infalível para pôr em cena homens de carne e osso, ao serviço de uma abstracta construção mental.
Para além de termos tentado que cada cena, ou pelo menos cada um dos vários evidentes grupos de personagens, correspondendo ao que acontece com os diferentes tipos de escrita de Shakespeare, tivesse um estilo de representação diferente, todo o espectáculo nos exigiu uma permanente ironia cénica que não sei se teremos conseguido. Como se representa a vários níveis ao mesmo tempo sem perder o risco de nos perdermos? Creio que é a própria peça que exige o salto permanente entre a hipótese de uma interpretação simbólica de conteúdo filosófico e a de uma mera “fantasia cénica” e que, falhando uma ou outra, tudo se arrisca a perder todo o sentido. Quem diz o Epílogo? Próspero ou o actor que o interpreta? E não é isso a ironia? Nunca dar a certeza do sentido do que se está dizendo? Dizer uma coisa para dizer o seu contrário? E não é a ironia o mais subido e divertido passatempo de quem pensa e quer por à prova a capacidade de pensar dos seus pares, desesperadamente tentando fugir à solidão, e inventar cumplicidades?

Receio que o espectáculo acabe por falar mais de nós que daquilo que o texto fala. Não era isso que eu queria. Queria que estes artifícios tão pessoais a que recorremos nos ajudassem a, com o texto de Shakespeare, falar com o público (“Que entre!” na Ilha) sobre o ressentimento, a justiça e a compaixão como as velhas soluções para a nossa responsabilidade humana, para o nosso viver com os outros. E, claro, sobre a liberdade a que aspiramos na prisão em que nos encerra a razão, esbracejando no mar da nossa memória cultural. Afinal um espectáculo sobre a Consciência.
O que a mim mais me interessa é o trajecto mental de Próspero no “jogo” que ele próprio inventou. Como se enganou quando sobrepôs ao amor pela sua filha a inicial necessidade de um ajuste de contas com a sociedade dominada pelas lutas pelo poder, e assim a deixou perder no velho mundo. Como percebeu que o perdão era a outra face da velha moeda da culpa. Como não soube ainda encontrar a poção mágica para o equilíbrio entre natureza e civilização. Nem pensar sem partir em dois a realidade. Como é desesperada a impotência do seu discurso final, antes de voltar à solidão.

Ainda não desistimos da alegria e acreditamos que um dia será possível representar este mito como coisa já fechada. Com a simplicidade que, (Brook tem nisso razão), deve ser a única maneira de lhe dar forma. Como se acreditássemos em “magias”. Sem o fazermos por ignorância e sem que isso pareça uma história para crianças mas seja uma história que dá forma á História da nossa Civilização. Quando o Mundo tiver mudado. Por enquanto a Tempestade ainda fala de nós.

Luis Miguel Cintra

EM PALCO
ALONSO, Rei de Nápoles José Manuel Mendes
SEBASTIÃO, seu irmão Ricardo Aibéo
PRÓSPERO, o legítimo Duque de Milão Luis Miguel Cintra,
ANTÓNIO, seu irmão, o Duque usurpador de Milão António Fonseca
FERNANDO, filho do Rei de Nápoles Vítor d’Andrade
GONÇALO, um velho e honrado conselheiro Luís Lima Barreto
ADRIANO, fidalgo Tiago Matias
FRANCISCO, fidalgo Pedro Lamas
CALIBAN, um escravo selvagem e deformado Nuno Lopes
TRÍNCULO, um bobo Duarte Guimarães
ESTÊVÃO, um despenseiro bêbedo João Pedro Vaz
O MESTRE de um navio Paulo Moura Lopes
MIRANDA, filha de Próspero Sofia Marques
ARIEL, um espírito do ar Dinis Gomes
IRIS, espírito Rita Durão
CERES, Ariel disfarçado Dinis Gomes
JUNO, espírito Márcia Breia
NINFA do Mar, Ariel transformado Rita Durão
HARPIA, Ariel transformado Márcia Breia
ESPÍRITOS Paulo Moura Lopes e Manuel Romano

Cravo Marcos Magalhães ou José Carlos Araújo

Lisboa: Teatro do Bairro Alto. 12/03 a 26/04/2009

1.4.09

cada tiro cada melro




O primeiro tiro foi a escolha do cineminha( "a corte do norte"). Um filme com o bom que o João Botelho sempre nos habituou, a fotografia de luz desenhada à moda renascentista, os quadros todos eles equilibrados e bonitos que nos remetem para a pintura classica (Giuditta e Oloferne de Caravaggio e La morte de Marat de David ), algumas cenas carregadas de teatralidade e a sensibilidade de guardar na imagem a beleza da paisagem da Madeira que as novelas da TVI não nos mostra.
Mas não se aprende com os erros(O Fatalista) e o cinema não é literatura.A busca de uma mulher pela historia da sua familia enterranos em varias historias das varias mulheres que o espectador tem que colar, lacuna qual podia ser minimizada com a voz off que descreve o que vemos na imagem(reduzindo-a a ilustração) e é mais um exercicio lirico do filme, enfim um recurso mal usado (entre outros)!
A figuração é hilariante e enriquece o filme no seu lado humoristico, as condessas lá do sitio tinham dentes de meretrizes, as poucas frases são carregadas de entoação e o estar tenso e duro ate serve de cadeira para a moreirinha se aninhar.
E falando na Ana Moreira,às vezes tem sotaque outras vezes nem por isso e a coisa piora porque é a unica, e se cerrasse menos os maxilares talvez ajudasse.

"A Corte do Norte" não sofre as questões de adaptação, afastamento ao livro, preservação do espirito da narrativa e fidelidade, o filme é o livro não um filme adaptado do livro, como se refere a ele JLP "um objecto fora de si, ou “sobre-si”, cinema que quer ser outra coisa, um lugar que é mais do que estranho porque é impossível".

E em palco lá estão os "Hipócritas" com GLADIADORES no Institut Franco-Portugais de 2 de Abril a 2 de Maio, de quinta-feira a sábado pelas 22h.

28.3.09

Hotel Overlook, quarto 237 ou um copo no Bada Bing(VIII)

... um 8 e 1/2 do teatro e improvisa-se TANTO TEATRO no Dona Maria II até 5 de Abril.
ESTA NOITE IMPROVISA-SE
Luigi Pirandello
Encenador: Jorge Silva Melo
Actor: Alexandra Viveiros, Alexandre Ferreira, Andreia Bento, António Simão, Cândido Ferreira, Carlos Marques, Cecília Henriques, Crista Alfaiate, Jéssica Anne, João Meireles, João Miguel Rodrigues, Joaquim Pedro, John Romão, Lia Gama, Luís Godinho, Pedro Carraca, Miguel Telmo, Pedro Lacerda, Pedro Luzindro, Ricardo Batista, Sara Belo, Sara Moura, Sílvia Filipe, Vânia Rodrigues, Victor Gonçalves

19.3.09

A Mae

O romance Mãe é considerado um dos trabalhos mais importantes do escritor revolucionário russo Máximo Gorki. Escrito em 1907, quanto o autor encontrava-se refugiado em Staten Island com sua mulher, o romance começa descrevendo os hábitos e a vida das pessoas num típico bairro operário russo, para logo depois se dedicar à história de uma das famílias.
Logo nos primeiros capítulos do romance o chefe da família, Mikhail Vlassov morre, deixando Peláguea Nilovna viúva e o jovem Pavel órfão. Sua morte, no entanto, não causa grande comoção entre os familiares e nem mesmo entre os vizinhos e companheiros do bairro onde morava, uma vez que o velho tinha hábitos rudes e grotescos, principalmente com Peláguea e Pavel, com quem não falava há mais de dois anos. “(...) Mikhail Vlassov, serralheiro, cabeludo, sóbrio, que, com seus olhos pequenos, sob grossas sobrancelhas, olhava com desconfiança e escárnio. O melhor serralheiro da fábrica e o mais forte e temido do bairro operário, era grosseiro com seus superiores e, por isso, ganhava pouco; aos feriados sempre surrava alguém e todos o temiam e detestavam”.
Livre dos pesadelos da vida doméstica com seu marido, Peláguea Nilovna passa a observar melhor o comportamento de seu filho Pavel. Logo percebe que seus hábitos não são iguais aos dos outros jovens do bairro, que não freqüenta as festas nem consome álcool em demasia, mas mesmo assim permanece um grande tempo fora de casa. A mãe chega a formular diversas hipóteses para justificar a ausência constante do filho, porém descarta todas elas. Certo dia, após o jantar, Pavel encosta-se num canto e sob a luz do lampião começa a ler um livro, a mãe se aproxima dele em silêncio, e então o filho revela: “Estou lendo livros proibidos. São proibidos, porque dizem a verdade sobre nossas vidas de operários...”. Subitamente a mãe sente um aperto no coração e então Pavel explica-lhe pacientemente tudo o que já havia aprendido sobre a vida dos operários e diz-lhe que em breve alguns de seus amigos da cidade virão até a casa, para que se realize uma reunião.
A partir daí, passam a ser realizadas reuniões constantes na casa de Pavel, que no início causam grande temor a mãe, que com o passar do tempo acalma-se e passa a sentir uma grande simpatia pelos companheiros de seu filho. O grupo organizado por Pavel passa a atuar nas fábricas do bairro, são distribuídos panfletos e chegam até mesmo a organizar uma greve. Tudo isso, numa época em que a repressão do governo czarista era enorme. Por essas ocasiões, Pavel chegou a ser preso, porém não demorou muito a ser solto novamente. Durante o tempo de retenção de seu filho, Nilovna passou a cooperar mais ativamente com o grupo de jovens que se organizava no bairro, tendo inclusive, disfarçada de vendedora de comida, infiltrado diversas edições de panfletos nas fábricas, passando com muita esperteza e facilidade pela vigilância dos guardas e patrões.
Às vésperas da manifestação do 1º de Maio de 1902 na Rússia, um acontecimento real retratado no livro, a mãe já havia adquirido uma compreensão sobre a importância da atividade do filho, chegando a ajudar nos preparativos para a manifestação no bairro, que contou com panfletos e cartazes, e também uma boa organização para escapar da vigilância da polícia czarista. “Os manifestos, conclamando os operários a festejar o Primeiro de Maio, eram pregados nos muros e paredes todas as noites; apareciam, até, na porta da delegacia, e eram encontrados, diariamente, na fábrica. Todas as manhãs, policiais, enfurecidos, percorriam o bairro, arrancando e raspando os cartazes roxos das paredes, mas, à hora do almoço, eles voltavam a voar pelas ruas, caindo aos pés dos transeuntes”.
A manifestação do Primeiro de Maio foi um sucesso no bairro, reunindo uma multidão de operários, sob o comando do grupo de Pavel, que foi um dos líderes que mais se destacou. Nesse momento, o grupo se identifica pela primeira vez no livro como integrante do Partido Operário Social Democrata Russo.
Com o avanço da passeata, em determinada rua do bairro ela se encontra com um batalhão de policiais, mas não deixa de avançar. Aos poucos a multidão começa a se dispersar, mas os líderes da manifestação seguem em frente até entrar em choque com a polícia. Resulta do confronto a prisão de Pavel e todos os seus companheiros, incluindo o ucraniano Andrei, que há algum tempo estava morando em sua casa e havia adquirido uma grande amizade com a mãe. À prisão seguiu-se um ato de protesto em que Nilovna tomou parte principal discursando não apenas em favor de seu filho, mas demonstrando já um conhecimento da causa a que ele servia.
Temerosos de que houvessem retaliações à mãe de Pavel, que encontrava-se sozinha em casa depois de sua prisão, seus companheiros do partido levaram Paláguea para morar na cidade, pois a polícia já havia invadido e revistado sua casa em duas ocasiões anteriores e desta vez ela mesma poderia ser levada presa.
A partir daí então, a mãe foi morar na casa de um militante chamado Nicolai, passando a trabalhar cada vez mais pelo partido, sendo responsável principalmente pelo transporte de jornais, panfletos e manifestos, principalmente para os camponeses, tornando-se com o passar do tempo, uma verdadeira militante.
A obra retrata com fidelidade a agitação social em que a Rússia estava submersa no começo do século, o inicio do movimento político no bairro operário, de uma forma que apenas um profundo conhecedor da cultura, dos falares, das gírias e costumes do povo russo, como Gorki, poderia realizar, fazendo despertar um profundo entusiasmo através da história da vida de Pelaguéa Nilovna, a Mãe.

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Num mundo de incertezas, esta é uma tentativa de apresentar provocações/soluções outras que nos façam questionar este caminho único e difuso que, evidentemente, não nos serve.

GESTÃO DE POTENCIAL "geração dos 500 euros"

Encenação Gonçalo Amorim
Músico João Paulo Esteves da Silva
Com Bruno Bravo, Carla Galvão, Carla Maciel, Carloto Cotta, David Pereira Bastos, Mónica Garnel, Paula Diogo, Pedro Carmo, Raquel Castro e Romeu Costa

mobilia de quarto

movéis, discos, livros, objectos vintage. Coisas em 2ª mão cheias de charme! Contacto vgaragem@gmail.com. Marque a sua visita!